CONAB estima redução de 3,3% na produção de soja em relação à safra anterior

Após apontar uma safra de soja recorde ainda em 2018, a CONAB (Companhia Nacional de Abastecimento) estima que a produção da safra 2018/19 sofrerá uma redução de 3,3% em comparação com a safra anterior. Em seu último relatório de acompanhamento de safra, publicado em 12 de fevereiro, o órgão indica que, mesmo com o crescimento de 1,9% na área de plantio, a produção deve alcançar 115,3 milhões de toneladas, número inferior a marca de 119.281 milhões de toneladas produzidas na safra 2017/18.

A mudança na projeção se deu por conta do mês de dezembro, quando agricultores das principais regiões produtoras do Brasil foram duramente impactados com a falta de chuvas. De acordo com a CONAB, as lavouras da região de Balsas, no Maranhão, tiveram perdas significativas. O município de São Domingos, por exemplo, vivenciou uma estiagem que durou entre 40 e 42 dias. O relatório também registra que em janeiro ainda haviam lavouras no Mato Grosso do Sul contando 25 dias sem precipitações.

No Mato Grosso, a colheita da soja foi adiantada devido à antecipação do plantio, mas mesmo assim os veranicos causaram perdas. A análise da companhia indica que a estiagem prejudicou a granação da cultura, principalmente as variedades de ciclo superprecoce. Nesse contexto, a lavoura não desenvolveu todo seu potencial produtivo e o clima mais seco reduziu a umidade do grão.

Ainda assim, a CONAB acredita que os adventos climáticos não serão responsáveis por grande redução na produtividade média do Mato Grosso, que é estimada em 3.312 kg/ha, número que condiz com a média histórica do estado, e que pode gerar produção de 32.124,7 mil toneladas nessa safra.

O mercado

De acordo com pesquisadores do CEPEA (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), a menor produtividade das lavouras de soja em vários estados brasileiros, o aumento do custo de produção da safra 2018/19 e as expectativas de queda cambial devem reduzir a margem de lucro dos produtores.

Em nota divulgada no último dia 25, o CEPEA apontou reaquecimento nas negociações da leguminosa motivadas pelo aumento da paridade de exportação no porto de Paranaguá (PR). De acordo com a publicação, esse movimento está relacionado à valorização dos contratos futuros na CME Group (Bolsa de Chicago), que foram influenciados pelas estimativas de menor área de soja nos Estados Unidos na temporada 2019/20 e pelas expectativas de que o acordo comercial entre EUA e China seja firmado em breve.

Brasil x China x EUA

A ARC Mercosul, empresa de pesquisa de mercado de Chicago (EUA), divulgou hoje uma análise sobre a questão da guerra comercial e o quanto isso pode impactar no mercado de soja. De acordo com o especialista Biel Tierney, Economista Chefe da empresa, o cenário que está sendo desenhado é que a China vai fechar um compromisso obrigatório de compras de commodities nos Estados Unidos a um preço definido.

Na análise de Tierney, a China pode mudar a maior parte das compras que foram feitas no Brasil no ano passado para os Estados Unidos. “Se esse cenário realmente se inverter, é possível que a gente veja os prêmios no Brasil derretendo e a CBOT em alta por aqui”, explica o especialista. Concluindo a mensagem, o especialista indica que os prêmios na América do Sul têm que cair para que o Brasil possa fazer negócios ao redor do planeta, comercializando a soja que não será mais vendida para a China.

Qual será de fato a produção dessa safra de soja?

Após a CONAB realizar uma série de cortes na projeção, que partiu de 120,06 para 115,3 milhões de toneladas, veja o que dizem as principais consultorias de compra e venda de commodities do mundo sobre a estimativa de produção da safra de soja 2018/19:

Agresource – 115.8 milhões de toneladas
Celeres – 113.8 milhões de toneladas
França Junior – 112.9 milhões de toneladas
Futures Int’l – 115.8 milhões de toneladas
Informa Economics – 117.5 milhões de toneladas
INTL FCStone – 112.2 milhões de toneladas
MD Commodities – 114.2 milhões de toneladas

Lucas Jacinto, integrante da nova escola do Jornalismo Agro. Diretor de Comunicação e Consultor de Marketing de Conteúdo da Ag.In.

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